O Jogo do Pau

Quando se fala em artes marciais, há tendência para se pensar nos desportos de combate do Oriente, como o judo ou o “jiu jitsu”, mas qualquer desporto com um passado ligado ao combate pode ser considerado uma arte marcial.
Como é aqui bem evidenciado, a esgrima e os seus antecessores, como o bastão, são artes marciais com uma história partilhada, pelo facto de terem evoluído da necessidade de defesa ou ataque.

E, tal como a esgrima e o bastão, também Jogo do Pau é uma arte marcial.Jogo do Pau Com raízes em Portugal e na Galiza, o Jogo do Pau surgiu da necessidade do povo de ter uma forma de se defender. Enquanto, nos séculos XX e XXI, esta arte marcial se tornou quase na totalidade uma atividade lúdica, com demonstrações realizadas ao longo dos tempos – como se pode observar nestas fotografias antigas, na sua génese o propósito era bem diferente.

A espada era um símbolo de nobreza e, mesmo em combate pelos seus senhores, os homens do povo não tinham acesso a tal equipamento. Para poderem preparar-se para as contendas, os camponeses começaram a praticar com os cajados que sempre os acompanhavam. Foi assim que começou o Jogo do Pau. Neste caso, a palavra “Jogo” refere-se, não a uma brincadeira ou a uma competição, mas ao manuseamento do cajado.

O tamanho da pau, ou vara, depende da altura do jogador, mas deverá chegar, pelo menos, do chão até ao nariz. Isto permite um raio de ação defensivo e ofensivo eficaz, sem que o pau se torne demasiado pesado.

Embora esta arte marcial tenha tido origem na zona circundante ao Rio Minho, no século XIX alguns mestres deslocaram-se até Lisboa, onde, primeiro o Ginásio Clube Português e depois o Ateneu Comercial de Lisboa, a tornaram popular e consagraram como um verdadeiro desporto. A estas duas associações se deve a preservação do Jogo do Pau até aos dias de hoje.