O mestre em esgrima era um grande conhecedor, que dificilmente transmitia os seus conhecimentos a outros. Podemos referir, na escola italiana, Fiori dei Liberi, que dizia que as técnicas deveriam ser mantidas em segredo, exceto para os especialistas em espadas, ou seja, para ajudar os guerreiros em batalha ou duelos, algo que jamais deveria ser revelado ao povo comum. Os seus alunos juravam segredo sobre o que aprendiam. No século XV, escreveu “Fior di Battaglia – Flos Duellatorum”, um dos primeiros manuais conhecidos sobre esgrima.

Na escola alemã, teremos de mencionar Johannes Liechtenauer, da mesma época, cujos ensinamentos permaneceram ao longo dos tempos, em especial através de manuscritos dos seus alunos. Surgiu o “Treatise on Arms”, escrito por Diego de Valera, um dos mais antigos manuais da esgrima ocidental. Com o século XVI e a invenção da imprensa, tudo começou a evoluir de uma outra forma. Os tratados de Paulus Hector Mair e Joachim Meyer começaram a abrir novos caminhos.

Os segredos começaram a ser desvendados, não só pela divulgação de manuais, mas principalmente pelo renovado interesse em aulas. Isto não só por parte da aristocracia, com lições geralmente privadas, mas inclusive da parte do povo, cada vez mais sedento de conhecimentos sobre esta arte, cuja mestria permitia não só autodefesa, mas especial preparação para duelos. O domínio das escolas italiana e alemã permitiu evoluções naturais, com especificidades nos vários países, que compreenderam a escola francesa e a espanhola, entre outras.

rapierA rapieira veio a adquirir maior expressão no início do século XVII, em especial após o manual de Salvator Fabris. As academias de espadas começavam a ser cada vez mais procuradas.

O italiano Domenico Angelo no século XVIII, com o seu “L’École des Armes” e a sua ida para Inglaterra, com a subsequente fundação de uma academia, constituiu um dos marcos históricos para a esgrima mais tradicional começar, cada vez mais, a ser considerada um desporto.

Finalmente, o segredo deixou de ser segredo!